Efeito dupla bolha ou waterfall
O efeito dupla bolha ou efeito waterfall (cascata) é uma complicação estética que pode surgir em pacientes com implantes mamários submusculares, afetando o contorno das mamas, especialmente na vista de perfil.
Esse problema, embora não seja comum, no curto prazo, gera preocupação por criar uma aparência indesejada, com uma separação visível entre o implante e o tecido natural da mama.
Neste artigo, exploramos o que causa a dupla bolha, como ela se manifesta, as opções de correção disponíveis e o que considerar para evitar ou tratar essa alteração, oferecendo um guia completo para quem busca resultados naturais e harmoniosos.
O que é o efeito dupla bolha ou waterfall?
A dupla bolha, também chamada de efeito cascata, ocorre quando a mama com prótese submuscular apresenta dois contornos distintos: um formado pelo implante de silicone e outro pelo tecido glandular natural.
Isso acontece porque esses componentes estão em planos diferentes – o implante fica sob o músculo peitoral maior, enquanto o tecido mamário gorduroso permanece à frente dele.
Com o tempo, o implante submuscular pode se deslocar lateralmente ou para cima, aderindo mais na região superior, enquanto o tecido natural da mama, sujeito à gravidade e ao envelhecimento, tende a descer, criando uma “queda” (ptose). O resultado é uma deformidade visível, com uma linha ou sulco separando as duas partes, especialmente notável de lado.
Por que a dupla bolha acontece?
Esse problema está relacionado ao comportamento diferente dos tecidos ao longo do tempo. Implantes submusculares, posicionados sob o músculo peitoral, podem se fixar mais na parte superior do tórax devido à pressão muscular ou à cicatrização, enquanto o tecido glandular e gorduroso da mama, que fica acima do músculo, segue sua evolução natural, caindo com o passar dos anos.
Fatores como a resistência, elasticidade da pele, presença de estrias, tecido mamário e gorduroso com um peso maior podem contribuir para o surgimento da dupla bolha.
Como identificar o efeito waterfall?
A dupla bolha é mais evidente na vista de perfil, onde se nota um degrau ou sulco horizontal entre o implante e o tecido mamário caído. De frente, pode parecer menos óbvio, mas em alguns casos o contorno irregular fica visível, comprometendo a estética. É diferente da contratura capsular (fibrose), que endurece a mama, pois o waterfall é uma questão de posicionamento e gravidade, não de rigidez. Pacientes relatam um aspecto de “duas mamas” ou “cascata”, com o implante formando uma bolha superior e o tecido natural pendendo abaixo.
Opções de correção para a dupla bolha
Felizmente, existem várias estratégias para corrigir o efeito waterfall, e a escolha depende das características da paciente e do grau da deformidade. Uma opção comum é a troca de posicionamento do implante, movendo-o de submuscular para subglandular (na frente do músculo), o que proporciona um comportamento de queda mais natural ao longo do tempo.
Essa mudança pode ser associada à enxertia de gordura, injetando gordura retirada de outra área do corpo para suavizar a transição entre implante e mama, melhorando o contorno, e evitando o aparecimento de ondulações visíveis do implante. O uso de implantes anatômicos é uma boa associação em alguns casos de mudança de planos, tornando o resultado mais natural.
Em casos com sobra de pele e queda das mamas, pode ser necessário combinar essas técnicas com uma mastopexia (lifting de mamas), que remove o excesso de pele e eleva o tecido glandular para alinhá-lo ao implante. Nessa cirurgia as aréolas também são elevadas. O cirurgião plástico avalia o estado da pele, o tamanho atual do implante e as expectativas da paciente para definir o plano ideal, sempre buscando harmonia e naturalidade.
Benefícios da correção do efeito waterfall
Corrigir a dupla bolha traz vantagens estéticas e emocionais:
- Contorno uniforme: Elimina o sulco, restaurando uma aparência suave.
- Naturalidade: Alinha implante e tecido para um visual integrado.
- Autoestima: Recupera a confiança com mamas mais harmoniosas.
- Personalização: Técnicas ajustadas ao perfil de cada paciente.
Quem pode precisar de correção?
Pacientes com implantes submusculares que notam alterações no contorno ao longo do tempo, especialmente após anos da cirurgia inicial, são as mais propensas. Mulheres com pele fina, mamas naturalmente pesadas ou que passaram por gravidez e amamentação – que aceleram a ptose – também estão no grupo de risco. Uma avaliação com um cirurgião plástico é essencial para confirmar o diagnóstico e planejar a correção.
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Como é feito o procedimento de correção?
A cirurgia de correção varia conforme a técnica escolhida. Na troca de plano, o implante é reposicionado para o espaço subglandular sob anestesia geral, com incisões geralmente reaproveitando cicatrizes antigas. A enxertia de gordura complementa o processo, com lipoaspiração em áreas como abdome ou coxas para coletar o material, que é injetado na mama.
Implantes anatômicos podem substituir os redondos anteriores, ajustados em uma única cirurgia que dura de 3 a 4 horas. A mastopexia, se necessária, adiciona incisões para remover pele e elevar o tecido.
Recuperação após a correção da dupla bolha
A recuperação depende da complexidade do procedimento. Nos primeiros 3-5 dias, inchaço e hematomas leves são comuns, aliviados com compressas frias e analgésicos. Por 1-2 semanas, recomenda-se repouso leve, evitando levantar os braços ou carregar peso, com pontos retirados em 7-14 dias (normalmente utiliza-se como última camada do fechamento a cola cirúrgica que é retirada no período de 10 a 14 dias).
Atividades normais voltam em 15-20 dias, e exercícios físicos de forma gradual após 2 semanas. O resultado inicial aparece em 3 meses, consolidando-se em 3-6 meses. Proteger as mamas do sol por 6 meses ajuda a evitar cicatrizes escuras (hipercrômicas). Usar sutiã cirúrgico nos primeiros 30 dias é importante para dimunição do risco de hematomas, diminuição do edema e conforto (sem ele as pacientes ficam com a sensção de que as mamas não estão com bom suporte) no período pós-operatório.
Comparação com outras complicações mamárias
A dupla bolha difere da contratura capsular, que causa endurecimento por fibrose, enquanto o waterfall é uma questão de dissociação do cone mamário formado pela prótese e o tecido glandular. Também não se confunde com rippling (ondulações visíveis do implante), ligado à falta de cobertura tecidual. Cada caso exige abordagens específicas, o waterfall é corrigido com ajustes de posicionamento do implantes e glandular.
Prevenção e cuidados pós-cirurgia inicial
Escolher o tamanho e formato correto do implante na cirurgia inicial, considerar a elasticidade da pele e optar por técnicas que respeitem a dinâmica dos tecidos podem reduzir o risco de dupla bolha. Após a correção, manter o peso estável e usar sutiã de suporte ajudam a preservar o resultado.
Conclusão: vale a pena corrigir a dupla bolha?
A dupla bolha ou efeito waterfall pode comprometer a estética das mamas submusculares, mas com técnicas como troca de plano, enxertia de gordura e implantes anatômicos, é possível restaurar um contorno natural e harmonioso. Se você nota essa alteração, consulte um cirurgião plástico qualificado para avaliar as opções e transformar sua silhueta com segurança e elegância.